Como eu conquistei estas quatro medalhas de uma vez? Esse é um daqueles textos de coração aberto. Há praticamente um ano, eu recebi o diagnóstico de câncer de intestino (no cólon). Fiquei 17 dias internado, sem saber como seria o meu amanhã, nem se haveria um amanhã. Por isso estas medalhas significam tanto para mim.
Um convite no momento mais difícil
No começo de 2026, eu ainda estava muito debilitado, começando a quimioterapia, quando a Mizuno entrou em contato querendo trabalhar comigo durante o ano. Uma marca que faz parte da minha história na corrida. Aceitei na hora. Entre os trabalhos mais bacanas do ano estavam as três etapas do circuito Atenas, em São Paulo: provas muito bem organizadas e com os percursos mais planos que você vai encontrar na cidade.
Medalha 1: Run Faster, 10 km (15 de março)
A etapa mais curta do circuito, com opções de 5, 10 e 15 km. Fiz os 10 km buscando uma prova de qualidade e o resultado foi muito bom. Ela serviu de termômetro para a minha prova-alvo do primeiro semestre: a meia maratona de Porto Alegre, no fim de maio, onde fiz meu recorde pessoal: 1h47:30.
Medalha 2: Run Longer, 18 km (21 de junho)
Cerca de três semanas depois do recorde, corri 18 km em ritmo leve, um ritmo que antes do diagnóstico seria impensável para mim. Eu vinha de uma sequência de provas muito abaixo da minha capacidade, e ali senti que estava voltando.
Medalha 3: Run Stronger, 21,1 km (18 de outubro)
A prova-alvo do segundo semestre. Treinei pesado, inclusive naqueles dias em que você está cansado e não quer ir. A ideia era chegar perto de 1h45. Veio 1h48:21, 50 segundos acima do meu recorde de Porto Alegre. E eu não tenho o direito de dizer que não foi 100%: há menos de um ano eu estava internado.
Antes do diagnóstico, eu só tinha tentado uma vez correr a meia abaixo de 1h50, e fiz 1h50:04. Neste ano, consegui duas vezes, e com sobra.
Medalha 4: Evolução
Quem completa as três etapas no mesmo ano, Run Faster, Run Longer e Run Stronger, ganha a medalha Evolução. Sempre tinha alguma coisa no calendário que me impedia de fazer as três. Neste ano, deu. E não poderia ter nome melhor.
O tênis é só um detalhe
Na meia de outubro, num percurso enlameado no Parque do Povo, corri com um Mizuno desenvolvido no Brasil, sem placa de carbono, feito para rodagens confortáveis. Fiz isso de propósito, para mostrar que muitas vezes o tênis é só uma muleta. Assim como o dia chuvoso, a falta de esteira, o horário que não é o ideal, ou não ter as condições que alguém tem na internet.
As condições perfeitas não existem. As melhores condições são aquelas que você tem. Não espere o mundo perfeito para fazer o que tem que ser feito.
Marcelo Culen, Manual da Corrida
Obrigado de coração à Mizuno por entender que, mesmo com as minhas limitações deste ano, eu poderia fazer parte do time de criadores da marca. E obrigado a você, que acompanhou cada passo. Espero que esta história chegue no seu coração e te lembre de não esperar o momento ideal.



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